Plantas alimentícias não convencionais como estratégia de ensino de Ciências Naturais para estudantes da EJA
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https://doi.org/10.31416/rsdv.v13i3.1624Palavras-chave:
Ciências da natureza, Educação ambiental, Segurança alimentar, PANCs.Resumo
O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e, nela, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) compõem cerca de um quinto da flora. Ricas em nutrientes, sustentáveis e passíveis de aproveitamento integral, permanecem subaproveitadas pela falta de conhecimento e pelo estigma de “mato”. No Recôncavo da Bahia, essas espécies poderiam reforçar a segurança alimentar e a medicina popular, mas quase não há estudos. A escola, portanto, desponta como espaço estratégico de difusão. Este trabalho, desenvolvido com uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Sapeaçu-BA, buscou levantar e discutir propriedades nutricionais e farmacológicas das PANCs, valorizando-as como eixo transversal da Educação Ambiental nas Ciências da Natureza. A pesquisa, aprovada pelo Comitê de Ética, adotou abordagem qualitativa: palestra, identificação prática de plantas e rodas de conversa estimularam a investigação e o reconhecimento de espécies locais. A palestra aprofundou características, ligação com segurança alimentar e sustentabilidade ambiental, além de estimular práticas culinárias com espécies locais. Os relatos coletados revelaram desconhecimento do termo e de seus benefícios. Conclui-se que a educação ambiental centrada nas PANCs favorece mudanças no consumo, preserva a biodiversidade e fortalece a segurança alimentar de comunidades vulneráveis.
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