Integração da Agricultura Sustentável e Saberes Indígenas do Semiárido

alinhamento com Agenda 2030 da ONU

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Autores

  • Késsia Virgínia dos Santos Lima Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
  • Carlos Alberto Batista Santos Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
  • Clécia Simone Gonçalves Rosa Pacheco Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE)
  • Wbaneide Martins de Andrade Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

DOI:

https://doi.org/10.31416/rsdv.v13i3.1402

Palavras-chave:

ODS, segurança alimentar, agricultura indígena.

Resumo

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), anunciados em 2015 pela ONU, estabeleceram metas globais para garantir um futuro mais sustentável e inclusivo para a humanidade até 2030. Entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a promoção da agricultura sustentável e da segurança alimentar são cruciais para redução da pobreza e da fome. Neste viés, realizou-se um levantamento bibliográfico sobre as práticas agrícolas dos povos indígenas do Semiárido baiano, objetivando verificar se os saberes e práticas dessas populações contribuem para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU. As buscas foram realizadas nas bases Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos CAPES e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), considerando publicações até junho de 2024. Foram selecionados 21 documentos após a aplicação de filtros específicos. Os resultados indicam que os indígenas do Semiárido aplicam conhecimentos ancestrais de manejo etnoambiental, focam em agricultura sustentável, segurança alimentar e gestão integrada extrativista da lavoura-pecuária. No entanto, enfrentam desafios como pressões externas da agricultura moderna, escassez hídrica, falta de sementes crioulas e de apoio governamental na comercialização dos produtos e conflitos socioambientais. Programas como o Bahia Produtiva, Pró-Semiárido e Bahia Sem Fome têm potencial para promover o desenvolvimento social inclusivo e sustentável dessas comunidades. O reconhecimento e a valorização dos saberes indígenas são fundamentais para contribuir de forma efetiva com os ODS da ONU, especialmente em relação à agricultura sustentável e à segurança alimentar no semiárido brasileiro.

Biografia do Autor

Késsia Virgínia dos Santos Lima, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Prof. Orientadora de TCC EAD da Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR e Prof Cooperadora do Curso de Licenciatura Intercultural de Educação Escolar Indígena-LICEEI- UNEB-Campus Intercultural Opará XXVI. Bióloga/Etnobióloga, Educadora Popular e do Campo, Pedagoga, Doutoranda e Mestra em Ecologia Humana e Gestão SocioAmbiental (UNEB). Integra o Grupo de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação OPARÁ; Etnobiologia e Conservação da Biodiversidade-LEConBio (UNEB). Atua, principalmente, com os Povos Indígenas do Semiárido Baiano nos seguintes campos: Etnobotânica, Educação e Saberes Ancestrais para Conservação da Biodiversidade, Agrosociobiodiversidade, Sementes Crioulas, Agricultura Familiar e Mercados Institucionais-PNAE/PAA.

Carlos Alberto Batista Santos, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Biólogo/Etnobiólogo, Mestre em Zoologia (UESC), Doutor em Etnobiologia e Conservação da Natureza (UFRPE), Atua na área de Zoologia, Conservação da Biodiversidade, Etnozoologia e Etnoecologia. Professor da Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental DTCS/UNEB (http://www.ppgecoh.uneb.br/). Lider do Grupo de Pesquisa em Etnobiologia e Conservação dos Recursos Naturais (UNEB) (https://grupodepesquisaetnobiologia.wordpress.com/), Pesquisador do OPARÁ: Centro de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação (UNEB)

Clécia Simone Gonçalves Rosa Pacheco, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE)

Doutora em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial pela Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF (2019-2021). Mestre em Tecnologia Ambiental pelo Instituto Tecnológico de Pernambuco - ITEP/PE (2012-2014). Licenciada em Geografia - UPE (1997-2001). Bacharel em Geografia - UNESA/RJ (2022-2024). Docente efetiva do Instituto Federal do Sertão Pernambucano - IFSertãoPE (desde 2010) no Colegiado de Tecnologia de Alimentos (desde 2016). Docente permanente do Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental - PPGEcoH da Universidade do Estado da Bahia - UNEB (desde 2021). Docente permanente do Programa de Pós-Graduação (Doutorado) em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial - PPGADT da Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF (desde 2022). Líder do Grupo de Pesquisas Geoambientais e Agroecológicas - GPGeA (desde 2014). Membro do Grupo de Pesquisa Geografia Física, análise ambiental e dinâmicas da paisagem - UFPA. 

Wbaneide Martins de Andrade, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Bióloga / Etnobióloga, Doutora em Etnobiologia e Conservação da Natureza (UFRPE), Atua na área de Botânica, Etnobotânica, Etnoecologia e Conservação da Biodiversidade com ênfase na flora e vegetação da caatinga. Atualmente é professora adjunta da Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental da UNEB. Vice-líder do Grupo de Pesquisa em Etnobiologia e Conservação dos Recursos Naturais (UNEB), Pesquisadora do Centro de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação OPARÁ- UNEB.

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Publicado

2025-07-17

Como Citar

LIMA, Késsia Virgínia dos Santos; SANTOS, Carlos Alberto Batista; PACHECO, Clécia Simone Gonçalves Rosa; ANDRADE, Wbaneide Martins de. Integração da Agricultura Sustentável e Saberes Indígenas do Semiárido: alinhamento com Agenda 2030 da ONU . Revista Semiárido De Visu, [S. l.], v. 13, n. 3, p. 702–722, 2025. DOI: 10.31416/rsdv.v13i3.1402. Disponível em: https://semiaridodevisu.ifsertaope.edu.br/index.php/rsdv/article/view/1402. Acesso em: 13 mar. 2026.

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